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Balão intragástrico: motivador de hábitos alimentares saudávei.

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A luta contra a obesidade está cada vez mais difícil, à medida que crescem os fatores desencadeadores do excesso de peso (comidas industrializadas, fast foods, falta de tempo e aumento do sedentarismo). Prova disso são as inúmeras pesquisas que mostram, ano a ano, o aumento do número de obesos no Brasil e no mundo. E com a doença, aumenta também as comorbidades associadas, como doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, incontinência urinária, entre outras.

Embora grande parcela da população acima do peso, queira emagrecer, é muito baixo o índice de quem consegue mudar seus hábitos de vida sem ajuda profissional. E após muitas frustrações com medicações e dietas milagrosas, é comum ver o avanço ainda maior da obesidade.

 

Nesse cenário, uma das alternativas de tratamento emagrecedor se consolida por se basear no principal tripé para combater a obesidade: dispositivo que causa a saciedade precoce e que atua concomitante com um programa de reeducação alimentar não restritivo, atividade física regular e apoio psicoterápico para mudar a forma de pensar e agir em relação à comida.

Trata-se do balão intragástrico, método endoscópico, não cirúrgico, com estudos nacionais e internacionais que atestam sua eficiência na redução de, em média, 12% do peso inicial do indivíduo.

“Os benefícios são fundamentalmente ligados à perda de peso que, por sua vez, leva ao controle das comorbidades associadas, com ganho em qualidade de vida e autoestima. São as essas as chaves para conseguirmos o que todos nós procurávamos: saúde, felicidade e bem estar”, diz o Dr. Ricardo Anuar Dib, gastroenterologista e endoscopista do aparelho digestivo.

O balão intragástrico atrai cada vez mais adeptos devido à simplicidade do procedimento e maior efetividade para a manutenção dos resultados em longo prazo.

Ancorado em estatísticas que revelam que é mias fácil combater o excesso de peso quando ele ainda está no início, o balão intragástrico possui da ANVISA a autorização para uso em pessoas com Índice de Massa Corporal (IMC) a partir de 27 – nível de sobrepeso.

Perfil do Paciente

Os grupos com maior probabilidade de se beneficiarem com o balão são:

  • Pacientes com IMC de 27 kg/m2 a 40 Kg/m2, com ou sem comorbidades, que tenham tido falha na perda de peso com a abordagem clínico-dietética e/ou medicamentosa.

  • Pacientes com IMC acima de 35 Kg/m2 com comorbidade ou acima de 40 Kg/m2, que não desejam se submeter à cirurgia bariátrica ou que não tenham condições de se submeter a este tipo de cirurgia.

  • Pacientes que precisam de cirurgia cardiovascular, ortopédica ou outra, mas cujo peso excessivo os coloca em risco e/ou reduz a probabilidade de realização da mesma.

  • Pacientes com IMC de 45 Kg/m2 ou mais, com indicação de cirurgia bariátrica tradicional que necessitam como terapia pré-operatória para cirurgia bariátrica.

Histórico e Exames

Deve ser obtida um anamnese detalhada: dados pessoais, histórico clínico, avaliação antropométrica e um exame médico completo, bem como investigações laboratoriais como exame de sangue (por exemplo, perfil hepático, renal, lipídico e de cálcio, proteína C-reativa, INR e TSH)

Possíveis Investigações

Dependendo do histórico clínico do paciente, um ECG e uma avaliação cardiológica, ou um ultrassom da vesícula biliar podem ser considerados úteis.

Exame de endoscopia digestiva pré-colocação, para visualizar o esôfago, estômago e o duodeno em busca de sinais de doença ativa, e o teste d H. pylori, para achados que possam impedir o início do tratamento, caracterizando o que é chamado de contra-indicações relativas.

Contra-indicações absolutas para o tratamento com balão intragástrico:

  • Pacientes relutantes em fazer dieta supervisionada por um médico e participar de um programa de modificação de comportamento, com acompanhamento clínico de rotina;

  • Cirurgia de resseção esôfago-gástrica;

  • Cirurgia esofágica, gástrica ou intestinal anterior;

  • Distúrbio de coagulação, uso crônico de antiinflamatórios não-hormonais;

  • Hérnia de hiato >5 cm;

  • Cirrose hepática (hipertensão portal / varizes esôfago-gástrica);

  • Dependência atual de substâncias psicoativas;

  • Transtornos psiquiátricos descompensados;

  • Doenças do colágeno e autoimunes não controladas;

  • Insuficiência renal;

  • Gravidez ou em período de amamentação.

Preparação do paciente e consentimento informado

Deve-se aconselhar os pacientes a aderirem a uma dieta pré-endoscópica antes do procedimento de colocação do balão. Após se assegurar de que o paciente entendeu totalmente o procedimento e o cuidado pós-colocação, além dos efeitos colaterais, devem ser assinados formulários apropriados de consentimento para o esclarecer que o paciente entendeu que o completo tratamento de emagrecimento deve permanecer colocado por, no máximo, seis meses.

Como funciona o balão intragástrico

Em um procedimento que dura, em média, entre 20 e 30 minutos, o balão é introduzido no estômago do paciente por via endoscópica e sob sedação. Uma vez no estômago, ele é preenchido com soro fisiológico e azul de metileno estéreis na quantidade de 400 a 700 ml, suficientes para gerar saciedade ao paciente, que reduz sua quantidade de comida pela satisfação com menor quantidade de alimento.

Podendo permanecer no organismo por até seis meses, o dispositivo age como impulsionador para a reeducação de hábitos do indivíduo, que recebe suporte de equipe multiprofissional para readequar a rotina alimentar, praticar atividade física e ainda se orientar com terapia psicológica para o ajuste comportamental em relação aos fatores que podem boicotar o tratamento.

Cuidado multidisciplinar

Nutricionistas, psicólogos e educadores físicos também devem estar envolvidos na avaliação dos hábitos dietéticos e de estilo de vida dos pacientes como parte do check-up para determinar o pacote ideal de cuidado multidisciplinar para complementar a colocação do balão intragástrico.

A experiência clínica tem mostrado que pacientes com essas características alcançam os melhores resultados em termos de emagrecimento durante o tratamento e a manutenção, após a remoção do balão intragástrico.

Curiosidades sobre o balão intragástrico

O método surgiu a mais de trinta anos, através da observação de pacientes com tricotilomania e tricofagia (compulsão por arrancar e comer os cabelos) e que acusavam grande perda de peso, verificada posteriormente, em função do bolo capilar que era formado no estômago. A partir daí, foi desenvolvida a ideia da inserção de um balão intragástrico com o objetivo de saciar a fome do obeso e assim permitir uma reprogramação alimentar por período suficiente para ele assimilar os novos hábitos a manter o peso no longo prazo.

Por Ricardo Anuar Dib

Gastroenterologista pela FMUSP, Chefe do Serviço de Endoscopia Gastrointestinal do Hospital Ipiranga São Paulo

(Artigo publicado originalmente na Revista Gastro SP, volume 4, números 3 e 4, ano 2015)

 

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